terça-feira, 24 de outubro de 2017

Desavisada

Logo eu, uma menina da ciência.
Que sempre acreditei em fatos.
No conhecido.
Naquilo que podemos pesar, medir e estudar.
Perdi-me completamente na cor de terra batida de seus olhos.
"Amor é uma simples combinação de hormônios, sua tola"
Estrogenio.
Serotonina.
Oxitocina.
Tornei-me alguém que descreve os olhos do amado
naquele momento.  
Naquela noite fria e nublada de inverno.
Lembro-me do vento cortante em meu rosto
e das luzes descoloridas da cidade.
Você,
sonhador,
otimista,
que sempre acreditou em destino,
dizia que não deveríamos aceitar menos do que uma grande história.
Que a vida era bela e complexa demais para sermos práticos
Corriqueiros
Acomodados
Assim eu soube.
Pela primeira vez, não consegui explicar o que sentia.
"Só admiração."
Vassoprecina.
Dopanina.
Mas eu sabia

que era amor.

Terça, 24 de outubro de 2017

domingo, 8 de outubro de 2017

Perspectivas

Uma manhã chuvosa de primavera.
Ele, preto e branco, enquanto protege sua preciosa pasta, reclama do temporal. Afinal, molhava sua calça durante o trajeto ao metrô.

Ela, com tantas cores contidas em si e com a ingenuidade de uma criança, encara o céu com um sorriso. Por mais que saiba que suas roupas ficarão ensopadas pelo restante do dia, gosta do cheiro da chuva. Gosta do tom cinza que a cidade adquire, apesar dos inconvenientes causados pela água.

Ela, enxerga a pluralidade da vida. Sente-se grata por sentir a chuva de cores que cai sobre ela e sabe que o sol logo voltará a aquecer aquele lugar.
Ele, preso em seu mundo preto e branco, não percebe o que está acontecendo naquele dia. 
Talvez não consiga enxergar além de sua pequena bolha, por estar tão envolto na rotina, agenda e prazos.
 Talvez apenas não queira sair da zona de conforto de seus pensamentos binários.
Quando lhe perguntam como está o céu naquela manhã, diz que está cinza. 
Como seu guarda-chuva. 
Ignorando o tom roxo das nuvens.
Amarelo, dos primeiros raios da manhã. 
E o rosa do pôr-do-sol que se forma atrás das colinas. 
Perspectivas.
Sexta, 6 de outubro de 2017


domingo, 30 de abril de 2017

Cineac Trianon

Meu avô vendeu seu sítio. Fiquei arrasada. Já estava a venda desde que eu me entendo por gente, mas de alguma forma não acreditava que ele teria realmente coragem de fazer isso. Não conheci os atuais donos da propriedade, mas espero que seja também uma família e que não mudem nada. Nem um detalhe da decoração nem da mobília. E que aproveitem muito, como eu aproveitei. Da última vez que fui lá os empregados já haviam sido despedidos, só tinha restado o caseiro e o segurança. 
Sentirei saudades de todos os cafés da manhãs que mais pareciam de hotel, daquele barulhinho tão especial do rio e também dos mergulhos nele. Daquele clima de montanha e daquela fumaça que saia de minha boca a cada palavra, dos dogs alemães que eu vi crescer, de todos os churrascos e todas as pizzas no pavilhão, da quadra de tênis e de toda travessura que aprontei com meus primos ali, cada caça ao tesouro, cada pique esconde,cada poção que fizemos misturando cosméticos do banheiro alheio, aquela pontezinha da piscina, a cada livro que li naquele friozinho com barulhinho da água do rio correndo e a cada miojo. Fico as vezes pensando como deve ter sido dolorido para a mãe do Cazuza quando vendeu essa casa para nós. Gostaria de procura-la hoje em dia e avisar que fiz bom uso dela, conta-la de dias antes de subir a serra até lá da minha empolgação para deixar essa cidade grande e entrar em contato com a natureza, de todas as frutas que comi direto do pé e de toda calça que ficou manchada por uma pirambera que havia atrás do celeiro. Tomara que aquele lugar alegre os dias de outra criança agora. Faça bom uso como nós fizemos, queridos anônimos novos moradores. E obrigada por tudo Cineac Trianon. 
15 de dezembro de 2014

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Lidos em 2016

Olá, pessoal!
Sim, abandonei vocês, desculpem-me. Mas precisei desse período sabático, não me levem a mal. A notícia boa é que inicio 2017 cantando "eu voltei e agora é pra ficar"! Senti tantas saudades! Dizem por ai que bom filho a casa torna, não é mesmo? 
2016, o período que estive fora, foi um ano esquisito e de muita mudança. Não tão glorioso quanto 2015, mas talvez tão importante quanto. Entrei no Ensino Médio e, naturalmente, a pressão aumentou assim como a carga de matérias, porém, felizmente, passei direto. Fiz 15 anos, ganhei uma festa surpresa maravilhosa. Fui a Bienal de São Paulo, assim como a algumas festinhas. Sofri com a crise do estado, cortei o cabelo, tirei o aparelho. Conheci garotos legais, outros nem tanto. Comecei a andar mais sozinha e me sentir capaz. Morei com meu pai e com meu tio (Riverside <3) e todos dizem que emagreci um pouquinho. Mas o mais importante aconteceu aqui dentro. Foi um ano de amadurecimento, de bater cabeça, de adquirir uma independência maior e me encontrar em meio ao caos. Ainda estou perdida, mas, aliás, não estamos todos? 
Não bati minha meta dos 50 livros, assim como beber mais água, ficará para o próximo ano.  

Janeiro:
1º- Isla and the happily ever after (17/01
2º- Delírios de consumo de Becky Bloom na Quinta Avenida (25/01)
3º- Samantha Sweet, executiva do lar (30/01)

Fevereiro: 
4º- Magnus Chase e os deuses de Asgard (08/02)
5º- A rainha vermelha (12/02)
6º- Garota Online (15/02
7º- La La Land (18/02
8º- Wattpad: Sob o mesmo teto (21/02
9º- Orgulho e Preconceito (29/02)

Março: 
10º- Mocassins e All Stars (31/03

Abril: 
11º- Belo Sacrifício (03/04)
12º- Desculpe, eu moro na Barra (07/04)
13º- Perdida (09/04)
14º- Romeu e Julieta (18/04)
15º- Razão e Sensibilidade (24/04)

Maio: 
16º- Eleanor & Park (11/05)
17º- O oráculo oculto (16/05)
18º- Relato de um náufrago (18/05)
19º- Azeitona (25/05)
20º- O pagador de promessas (25/05)
21º- Billy e eu (28/05)

Junho: 
22º- Como eu era antes de você (05/06
23º- Amor nos tempos de #likes (07/06
24º- A megera domada (10/06)
25º- A sereia (17/06)

Julho: 
26º- Princesa das águas (31/07)

Agosto: 
27º- Garota Online em turnê (08/08)
28º- Uma canção de ninar (17/08)
29º- Os 13 porquês (21/08)
30º- O diário internacional de Babi (23/08)
31º- Era uma vez minha primeira vez (24/08)
32º- Próxima parada (29/08)

Setembro: 
33º- Simples Assim (03/09)
34º- Cabeças De Ferro (06/09)
35º- A garota americana (12/09)
36º- Harry Potter e as Relíquias da morte (18/09)
37º- Para todos os garotos que já amei (28/09)

Outubro: 
38º- Aquele verão (04/10)
39º- PS: Ainda amo você (12/10)

Novembro: 
40º- O Erro (13/11)
41º- Caindo na real (17/11)
42º- Harry Potter e a criança amaldiçoada (23/11)

Dezembro: 
43º- Trem-bala (09/12)
44º- O natal dos Medina-Becker (24/12)

Que em 2017 possamos ser pessoas melhores e que tenhamos bons momentos e oportunidades. Além de saúde, amigos e família sempre ao nosso lado. Tenham um feliz ano novo! Amo vocês e I'm back


terça-feira, 1 de novembro de 2016

A florzinha

A chuva que bate em minha janela se confunde com minhas lágrimas. Sinto saudade dela. Uma saudade sufocante, latente e ela ainda nem se foi. Todas as vezes que penso nas risadas que não vamos mais compartilhar, nas milhas que vão nos separar e nas mensagens num smartphone que substituirão nosso rotineiro beijo de boa noite, parece que minha garganta está prestes a se fechar. Que minha vida está ruindo, pois as estruturas que as mantinha firme estão balançando. Sentirei falta do barulho de alguém na cozinha, das noites assistindo aquela antiga novela no VIVA e o brilho que ela espalha por onde passa. Ela é o sol e chuva. É de fases como a lua. É o arco-íris que por tanto tempo coloriu minha vida e agora vai a procura de novos horizontes. Ela é e sempre será a florzinha mais bonita do meu jardim. 
 Noite chuvosa de sexta-feira, 6 de novembro de 2015
6 dias antes 


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins

Olá, leitores!
2016 começou com ressaca literária. Eu não estou com interesse em nenhum livro que eu tenho na estante nem nas livrarias, mas como eu viajei e passei mal por alguns dias consegui terminar o livro que tinha levado na bagagem, "Isla and the happily ever after" publicado no Brasil pela Intrínseca como "Isla e o final feliz".


Comprei esse livro a muito tempo pelo Book Depository quando os direitos dos títulos da Stephanie ainda estava nas mãos da Novo Conceito que não tinha nenhuma previsão do lançamento. Mas demorou a entrega e, quando chegou, deixei de lado, mas depois de um tempo traduziram e eu fui tentada a ler em português  muitas vezes pelo simples fato de ser um livro um pouco mais complicado para quem não tem o inglês como primeira língua. O livro é passado na França e em Barcelona, o que adiciona algumas frases e nomes de lugares em francês e espanhol a narrativa que já está em uma língua estrangeira, além de falar bastante sobre arquitetura e arte o que requer um vocabulário que não usamos com tanta frequência. Para quem ainda está se adaptando com a leitura na língua inglesa, recomendo ler em português mesmo. 
"Isla and the happily ever after" foi uma ótima leitura. Amei o romance, os personagens tem química e é passado no universo de Anna e o beijo francês, na Cidade Luz, e em Nova York, minha cidade preferida (ainda cita a Columbia University <3). Por mais que Lola precise urgente dar umas aulinhas de autoconfiança para Isla, o último livro da trilogia deu um banho na decepção que foi "Lola e o garoto da casa ao lado". Josh é sim um garoto apaixonante, mas não tanto quanto o St. Clair. Anna e o beijo francês segue firme sendo o romance da minha vida, mas a leitura é obrigatória para todos os fãs, como eu, do primeiro volume da série (principalmente pelo final). 2016 começou com o pé direito. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Pessoas de papel

Olhe só para mim, escrevendo humildemente um texto como os que costumava fazer. Em madrugadas exatamente como essa. Encarando a escuridão da noite. Mas não com o mesmo olhar. Aquele olhar artístico que só brota na visão de poetas. Poetas do seu bloco de notas particular. Mas minha visão está desgastada. De tanto pensar besteiras sobre aqueles que poetizam suas vidas e suas madrugadas. Meu lado poético simplesmente se apagou. A poeta que esperava calada até essas noites frias de dezembro fez suas malas e foi embora. Não se sentia mais querida aqui dentro. Mas não era pra ela ir. Gostaria que voltasse aqui, ficasse para tomar um chá. Nunca realmente quis te esquecer. Sente-se para pensarmos juntas nessas pequenas janelinhas acesas. Volte. Para nós leigamente brincarmos de entender o amor e todas as idas e vindas do coração. A vida fica sem graça sem a arte. E sem filosofarmos diariamente. Nos tornamos vazios. Como pequenas pessoas de papel. 

Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2015